Platão – Dialética – 1ª parte

Dialética Platônica – 1a parte

Para conhecer Platão é indispensável o estudo da genesis de sua teoria das idéias. Os filósofos anteriores haviam chegado, em relação com o problema da ciência, a uma série de posições antinômicas. Para Parmênides o real se identifica com o ser único e imóvel, acessível só pela razão. Para Heráclito, ao contrário, a realidade se identifica com o devir múltiplo e mutável. A conseqüência desta posição é clara: se tudo no mundo é puro devir é impossível o conhecimento certo. Protágoras tira da conseqüência destas posições a relatividade total do conhecimento humano. Finalmente Sócrates, ao contemplar a difícil situação que havia chegado a filosofia no estudo do objeto se orienta ao sujeito e descobre os conceitos das coisas. Este era o estado do problema ao chegar a Platão. Deste apanhado caótico de doutrinas devia surgir sua teoria das idéias. Platão parte para ela com o princípio que a ciência verdadeira é possível. Mas a ciência não pode ter por objeto os seres mutantes do mundo como disse Heráclito que fluem perpetuamente, mas algo que seja imutável e eterno, pois só do imutável e eterno, como disse Parmênides, pode haver conhecimento certo.

Logo Platão conclui que por cima da ordem da realidade sensível deve existir uma realidade inteligível eternamente igual a si mesma, a qual remontamos com os conceitos, como havia descoberto Sócrates. Desta maneira Platão unificou as teorias de seus antecessores. Heráclito tinha razão ao afirmar que tudo em nosso mundo sensível é devir, mas se enganava ao negar a existência do verdadeiro ser. Parmênides também tinha razão ao proclamar a existência do ser, mas se equivocava ao fazê-lo único e ao negar a realidade do Universo. Finalmente Sócrates tinha razão ao buscar a ciência nos conceitos e definições dos objetos, mas devia ter estendido sua investigação ao mundo metafísico e estabelecido, como fundamento de seus conceitos, uma essência objetiva transcendente: a idéia.

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2 Respostas to “Platão – Dialética – 1ª parte”

  1. Colafina Says:

    Ora, pois!
    A partir de Platão, os seus ensinamentos, Mestre Pax, já são mais digeríveis. Começo a acreditar que, platonicamente falando, já não sou um pouco analfabeto… sou muito!
    Não desista de mim, Mestre, não desista de mim!

    Um gafanhoto [que quase não se manifesta, mas presta uma atenção...]

  2. paxajax Says:

    Caro Alexandro,

    No fundo no fundo quem não pode desistir é o bom livro base. Esse sim vale a pena, bem como o sacrifício de traduzir do espanhol que confesso não ser meu forte.

    Ignorante somos todos. Mas em doses homeopáticas a gente enche o papo.

    Abraços!

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