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Livro III – As novas cosmologias dos atomistas – Resumo

01/02/2009

Livro III – As novas cosmologias dos atomistas – Resumo
(495 a 370 AC)

1 – Pluralismo eclético: Se professa um mecanicismo incompleto. Tenta explicar o mundo por elementos qualitativamente diversos.

1.a – Empédocles (495 a 435 AC): Quatro elementos (água, ar, fogo e terra); o princípio do movimento reside no amor e ódio; as almas e deuses resultam da mescla dos elementos.
1.b – Anaxágoras (500 a 428 AC): Infinitos elementos; princípio da mudaças é o Nous, cuja existência se prova pelo movimento e ordem cósmica.

2 – Doutrina atomista: Mecanicismo puro; número infinito de elementos (átomos) quantitativamente diferentes.

2.a – Leucipo
2.b – Demócrito (460 a 370 AC): Número infinito de átomos; os princípios do movimento são o peso como causa eficiente e o vazio como condição; evolução mecânica do cosmos; conhecimento por meio de imagens.

Capítulo 3 – Anaxágoras

27/01/2009

Anaxágoras (500 a 428 AC)

Célebre descobridor do Nous, de quem Aristóteles disse que foi o único sóbrio no meio de uma turba de ébrios, Anaxágoras nasceu em Clazômena na Jônia (antiga Ásia menor, hoje Turquia) por volta de 500 AC. Anaxágoras desenvolve um atomismo qualitativo. Os quatro elementos de Empédocles (água, ar, fogo e terra) se convertem em uma infinidade de elementos qualitativamente diferentes e imutáveis que são como as sementes de todas as coisas. Estes elementos, que Aristóteles chama de homeomerias (1) (ou homeomérias – encontram-se ambas grafias portuguesas), são ilimitados em número e espécie e, ainda que infinitamente pequenos, são divisíveis mais e mais. A partir destes corpúsculos Anaxágoras explica a formação do cosmos, inserindo um princípio novo: o impulso motor e ordenador: a Inteligência (alguns chamam de Razão) ou Nous. A função deste Nous anaxagórico é dupla: por em ação a massa inerte dos elementos e ordenar o conjunto do universo. Então, o Nous é a causa do movimento e da ordem cósmicas. Anaxágoras não pretendeu chegar até o final, seu Nous se contenta em dar o impulso inicial e, depois, a maneira de Deus e dos deístas, abandona o mundo a si mesmo, a sua própria sorte.

Não é claro também o pensamento de Anaxágoras acerca da natureza imaterial do Nous, pois se de um lado o distingue das homeomerias, de outro o considera como a forma mais tênue das coisas. A solução para esta contradição parece ser a seguinte: Anaxágoras fazia clara distinção entre o nous e as homeomerias que lhe devem o impulso ordenador, mas, por carecer de uma idéia clara sobre a diferença essencial do corpo e do espírito, não supôs liberar seu incipiente espiritualismo de toda influência sobre a matéria. A completa elaboração de um conceito tão difícil como o do espírito era trabalho tão grande e delicado que não poderia ser realizado por um só homem.

O grande mérito de Anaxágoras é ter sido o descobridor do Nous e o primeiro a introduzir a idéia de uma Inteligência transcendente como última explicação da ordem e teologia do cosmos.

(1) Homeomeria: FIL no pensamento do filósofo Anaxágoras (499-428 a.C.), qualquer porção, pequena ou grande, do mundo material que, embora contenha necessariamente todas as múltiplas e contraditórias qualidades encontráveis no resto do universo, pode ser definida e caracterizada por uma qualidade preponderante ou hegemônica. (dic. Houaiss)

Sugestões de leitura: Webartigos e um texto de Mario Ferreira dos Santos no portal Philosophia Perennis

Capítulo 3 – As novas cosmologias dos atomistas

25/01/2009

As novas cosmologias dos atomistas

A antinomia Heráclito-Parmênides havia encerrado o pensamento pré-socrático num labirinto sem saída. Por um lado os eleatas afirmavam que o ser não pode mudar e que é único. Por outro lado a experiência favorecia Heráclito ao mostrar a existência de muitos seres que certamente seriam mutáveis. Prisioneiros desse problema os últimos pré-socráticos buscaram uma solução que os permitisse escapar. E a solução que encontraram foi esta: O verdadeiro ser nem pode mudar, nem pode ser produzido de novo e nem deixar de ser. E aqui os eleatas têm razão. Mas isto não quer dizer que haja um só ser. Ao contrário, existem infinitos seres, e eles são imutáveis, que ao combinar-se entre si de um modo puramente mecânico produzem a realidade mutável do Universo. Estes seres minúsculos, no conceito parmenidiano de ser, são os átomos. Os últimos pré-socráticos são seus inventores e chamados de atomistas.

Os atomistas abandonam a consideração hilozoística (1) da matéria e se vêem obrigados a buscar uma causa eficiente das coisas e de suas mudanças. Empédocles colocou esta causa nas forças consideradas de uma maneira antropomórfica (2), Anaxágoras no entendimento divino e Demócrito no movimento eterno, como veremos a seguir.

(1) Hilozoismo: doutrina filosófica segundo a qual toda a matéria do universo é viva, sendo o próprio cosmo um organismo material integrado, possuindo características como animação, sensibilidade ou consciência. (Dicionário Houaiss – melhor que as anteriores – revisar as definições passadas)
(2) Antropomorfismo: [2] visão de mundo ou doutrina filosófica que, buscando compreensão da realidade circundante, atribui características e comportamentos típicos da condição humana às formas inanimadas da natureza ou aos seres vivos irracionais. (Dicionário Houaiss)

Obs.: Uma excelente leitura, um texto de Erwin Schrödinger, Nobel de Física de 1953, no site Ciência dos Materiais, da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais


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