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Livro I – As primeiras cosmologias dos jônicos e pitagóricos – Resumo

30/01/2009

Livro I – As primeiras cosmologias dos jônicos e pitagóricos
(600 a 500 AC)

1 – Empirismo físico moderado dos jônicos: Os filósofos buscam o princípio material e concreto do que são constituídas as coisas. Se inclinam a um empirismo moderado buscando a causa material em algo imediatamente percebido pelos sentidos. Admitem a multiplicidade dos seres – pluralismo – mas não fazem distinção entre matéria e espírito (hilozoísmo).

1.a – Tales de Mileto (624 a 562 AC): um princípio concreto – a água.
1.b – Anaximandro (610 a 647 AC): um princípio indeterminado – o ápeiron
1.c – Anaxímenes (588 a 524 AC): um princípio vivo e sem limites – o ar
1.d – Diógenes (século V): o ar dotado de razão

2 – Racionalismo moderado dos pitagóricos: Não buscam o que constitui as coisas mas sim o que são elas em si. Realizam uma abstração matemática. Estabelecem um princípio predominantemente formal, concreto-abstrato: o número.

2.a – Pitágoras (580 a 500 AC): 1 – Metafísica: O número é o princípio constitutivo das coisas. O número par representa o infinito, o impar o finito. Infinito e finito se unem pela harmonia. O universo é o cosmos. 2 – Misticismo religioso: Os astros são deuses, o maior dos quais habita em forma de fogo no centro da Terra. A alma divina e imortal provem deste fogo do centro da Terra, mas em castigo de uma culpa original é unida ao corpo. A virtude é uma harmonia entre as partes sensitiva e racional. Admitem a reencarnação e a metempsicosis.
2.b – Escola pitagórica: Filolao ensina a rotação da Terra em torno do Sol. Hicetas ensina a rotação da Terra ao redor do seu eixo.

Capítulo 1, artigo 1 – Os Jônicos – Anaxímenes de Mileto

20/01/2009

Anaxímenes de Mileto (588 a 524 AC)

Foi discípulo e sucessor de Anaximandro. Seu pensamento significa mais um certo retrocesso que um avanço. Abandonando a teoria do seu mestre, estabelece o ar como princípio dos seres, mas um ar vivo, ilimitado e imortal, com todas as características do ápeiron aniximâncrico, menos sua indeterminação qualitativa. Para Anaxímenes todo o mundo é ar e a mudança das coisas se deve também à mudança do ar. “Como nossa alma que é ar, nos mantemos unidos, assim como o sopro e o ar abarcam o cosmo”

Anaxímenes explica também mediante o ar a evolução do universo. Para isso, introduz dos conceitos novos,: a dilatação e a condensação. O ar rarificando se faz quente e leve e se converte em éter, e condensando se faz frio e pesado e numa série de transformações chega a ser vento, nuvens, água, terra, pedras e todas as coisas.

O progresso filosófico com Anaxímenes se dá ao estabelecer pela primeira vez a comparação entre o macrocosmo e o microcosmo, comparação que sob vários aspectos passa por todo discurso da filosofia, e indica a evolução do universo não simplesmente como Anaximandro, mas tentando determinar de uma maneira mais cuidadosa, pela teoria da condensação e dilatação.

Obs.: Leituras sugeridas para aprofundamento na Wikipédia e no site Mundo dos Filósofos

Capítulo 1, artigo 1 – Os Jônicos – Anaximandro de Mileto

19/01/2009

Anaximandro de Mileto (610 a 547 AC)

Parte da idéia de Tales que a variedade e multiplicidade aparente das coisas se resolve num princípio único. Mas, superando seu mestre, entende que este princípio não pode ser uma coisa determinada como a água, mas algo indeterminado, infinito, imortal e divino, que governa o todo,  que chama de ápeiron (*). Sempre foi difícil a definição desse ápeiron anaximândrico. Para Zeller seria uma espécie de primeira matéria aristotélica, porém viva e imortal.

Do centro de ápeiron, e por uma espécie de separação espontânea, brotam as coisas do mundo empírico. Anaximandro desenvolve uma teoria original da evolução e se adianta em 25 séculos às modernas hipóteses de Kant-Laplace e Lamark-Darwin. As primeiras manifestações que surgem desse processo dissociativo de ápeiron são o frio e o calor, que se condensam respectivamente na terra e no céu das estrelas fixas. Dentro da terra se separam, por sua vez, no sólido e no líquido, dando origem aos mares e ao continente. Pela ação do céu ardente os vapores ascendem do mar  e formam a região do ar entre a terra e o céu. Depois, do barro, originado pela separação parcial do mar e debaixo da ação incubadora do calor, aparecem os primeiros organismos em uma grande cadeia evolutiva que vai desde os peixes até o homem. Este singular evolucionismo anaximândrico, ascendente e construtivo, se consuma com o retorno das coisas ao centro de ápeiron, em castigo de um misterioso pecado que cometeram ao começar a existir. “As coisas devem perder-se onde nasceram, em penitência e castigo da sua injustiça, segundo a ordem do tempo”.

Anaximandro introduz o conceito de infinito e da evolução cósmica. Sua filosofia é o primeiro ensaio ocidental da explicação do universo por derivação do infinito.

(*) ápeiron no Dicionário Houaiss – grego – para o filósofo grego Anaximandro, a realidade infinita, ilimitada, invisível e indeterminada que é a essência de todas as formas do universo, sendo concebida como o elemento primordial a partir do qual todos os seres foram gerados e para o qual retornam após sua dissolução.

Capítulo 1 – As primeiras cosmologias dos jônicos e pitagóricos

19/01/2009

As primeiras cosmologias dos jônicos e pitagóricos

As primeiras escolas pré-socráticas buscam o primeiro princípio das coisas. Os jônicos procuram conhecer do que são formadas, os pitagóricos procuram o que são cada uma das coisas e, por conseguinte, todo o Universo em si mesmo. Os jônicos procuram o princípio material e constitutivo que se conhecem pelos sentidos e podem ser considerados de empirismo moderado. Os jônicos mais antigos admitem a multiplicidade dos seres, são pluralistas, e como não distinguem a matéria do espírito, são hilozoístas (1). Ao assinalar o princípio material das coisas, pode-se observar um certo progresso nesta escola. Tales lhes atribui um princípio concreto, Anaximandro, um princípio indeterminado, Anaxímenes, um princípio infinito vivo e finalmente Diógenes de Apolônia, um princípio racional. O método dos jônicos mais antigos permanece no menor grau de abstração, a abstração física.

Pitágoras e seus discípulos avançam para uma investigação científica mais elevada, a abstração matemática. Não investigam de que constam os seres, mas sim o que são em si mesmos. A consideração matemática é a causa pela qual praticam um racionalismo moderado. Em oposição aos jônicos estabelecem um princípio mais formal e concreto/abstrato, o número. Os pitagóricos também são pluralistas e hilozoístas mas se inclinam para o monismo e o idealismo.

Todos, se falam de Deus, o identificam com o mundo e o consideram extenso, razão pela qual suas doutrinas podem também se chamar hilozoísmo panteísta.

(1) hilozoísmo: provém de hylé (matéria) e zoé (vida) e expressa a concepção que atribui vida a toda matéria.


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