Arquivo da categoria ‘Demócrito’

Nascimento da Filosofia clássica

02/02/2009

Nascimento da filosofia clássica – período lógico-eurístico

Ao final da etapa pré-socrática se inicia na filosofia grega uma época de cansaço e decadência intelectual caracterizada pelo ascetismo dos sofistas. A semente do ascetismo estava já latente nos eleatas e em Demócrito. A antinomia Heráclito-Parmênides com as soluções insuficientes que lhe deram os atomistas, acabou por levar os espíritos à duvida. Soma-se à esse momento as condições sócio-políticas da época. A vitória contra os persas produziu uma grande prosperidade em todas as ordens. Ao florescimento literário e artístico do século de Péricles se une um grande desejo de saber e divulgação da ciência por todas as classes da sociedade. Mas esta mesma difusão do saber científico acabou em dano à própria ciência que se tornou mais utilitária e superficial. A constituição democrática da República ateniense estimulou os jovens a cultivar a arte de falar e persuadir, com vistas a conquistar cargos públicos. Desta maneira o estudo sério da filosofia e das ciências foi substituído pelo cultivo da arte singular de defender as próprias opiniões e, com dizia Protágoras, de fazer forte o discurso débil. Com isto foi deixado de lado a investigação da verdade e se busca somente triunfar uma tese qualquer. Logo os sofistas se encarregaram de difundir que não existe verdade objetiva e que tudo pode ser provado ou refutado.

Neste momento Sócrates se lança contra esse ascetismo dos sofistas com sua metodologia científica. Sócrates foi o mais terrível adversário dos sofistas. Mesclado como eles, entre os jovens, e usando suas próprias técnicas pedagógicas, orientou o pensamento grego para o conhecimento exato dos conceitos das coisas e as virtudes morais. Os pré-socráticos ficam já muito distantes dessas atualidades. O ascetismo dos sofistas foi superado. E o terreno está preparado para a grande floração do platonismo.

Livro III – As novas cosmologias dos atomistas – Resumo

01/02/2009

Livro III – As novas cosmologias dos atomistas – Resumo
(495 a 370 AC)

1 – Pluralismo eclético: Se professa um mecanicismo incompleto. Tenta explicar o mundo por elementos qualitativamente diversos.

1.a – Empédocles (495 a 435 AC): Quatro elementos (água, ar, fogo e terra); o princípio do movimento reside no amor e ódio; as almas e deuses resultam da mescla dos elementos.
1.b – Anaxágoras (500 a 428 AC): Infinitos elementos; princípio da mudaças é o Nous, cuja existência se prova pelo movimento e ordem cósmica.

2 – Doutrina atomista: Mecanicismo puro; número infinito de elementos (átomos) quantitativamente diferentes.

2.a – Leucipo
2.b – Demócrito (460 a 370 AC): Número infinito de átomos; os princípios do movimento são o peso como causa eficiente e o vazio como condição; evolução mecânica do cosmos; conhecimento por meio de imagens.

Capítulo 3 – Demócrito – segunda parte

29/01/2009

Demócrito (470 AC) -… continuação

Demócrito estende também seu materialismo ao tema do homem. A alma não é mais que um conjunto de átomos mais sutis e as sensações se devem ao impacto dos átomos externos nos átomos da alma, sendo os órgãos dos sentidos (visão, audição etc) as passagens (poros) através das quais esses átomos são introduzidos. Daí decorre também sua afirmação que os sentidos são enganosos, as coisas que percebemos não são exatamente como elas são e que as conhecemos somente superficialmente porque há interferências nesse caminho da percepção. A última conclusão desta teoria do conhecimento é a dificuldade de se alcançar a verdade que, segundo Demócrito, se esconde num abismo:

“nós na verdade não conhecemos nada de certo, mas somente alguma coisa que muda de acordo com a disposição do corpo e das coisas que nele penetram ou lhe opõem resistência”

“a verdade jaz num abismo”

Demócrito foi um grande pensador. Seu sistema está cheio de instituições geniais recentemente aprofundadas pela ciência e pensamento modernos. Ressalta-se seu atomismo, sua teoria das qualidades primárias e secundárias da matéria, sua dissociação do mundo sensível e do mundo  inteligível, a física atômica, o subjetivismo de Locke, as modernas criteriologias e o fenomenismo de Kant.

Por se contrapor ao espiritualismo de Anaxágoras, Demócrito é considerado o primeiro ateu formal e seu sistema o primeiro ensaio do materialismo com pretensões científicas.

Sugestão de leitura: Mundo dos Filósofos com texto de Rosana Madjarof.

Capítulo 3 – Demócrito – primeira parte.

28/01/2009

Demócrito (470 AC)

O último filósofo pré-socrático nasceu em Abdera de Tracia pelo ano de 470 AC e foi discípulo de Leucipo (1) de quem prosseguiu e aperfeiçoou as idéias atomistas. Demócrito desenvolveu um atomismo quantitativo. Seu ponto de partida é como o de seus antecessores, o princípio eleático de que nenhuma realidade pode ser produzida nem pode perecer. A partir desse ponto pretende explicar as mudanças e a multiplicidade dos seres por meio dos átomos eternos e imutáveis. Os últimos elementos dos seres são o cheio e o vazio. O cheio, o sólido, é o ser, que se identifica com os corpúsculos ou átomos. O vazio, o não-ser, nada mais é que o espaço vazio interposto entre os diferentes átomos.

Os átomos são infinitos, eternos, invisíveis, qualitativamente semelhantes e quantitativamente indivisíveis, de onde vem o próprio nome: átomo (2). Diferem na forma (ou figura), coordenação e posição. A estas três diversidades soma-se uma nova, a diferença de magnitude e de peso. Com os átomos qualitativamente iguais e imutáveis, Demócrito explica as mudanças e diversidade das coisas por mera combinação mecânica. Introduz como causa eficiente das combinações o movimento. Este é eterno, como são os átomos, e produzido em virtude da gravidade, que os antigos não entendiam como atração universal, mas a propriedade dos corpos de moverem-se para baixo e caírem quando sem obstáculos, no vazio. E essa caída é proporcional ao peso das coisas. Aplicando todos estes elementos Demócrito explica a formação do cosmos. Os átomos começam sua caída no infinito espaço vazio desde a eternidade. Como sua velocidade é diferente por causa dos diferentes pesos, os átomos mais pesados se precipitam sobre os mais leves (caem mais rápido que estes) e formam aglomerações, remoinhos de átomos com os quais o movimento retilíneo primitivo se converte em circular, dando origem, deste modo, aos diferentes sistemas cósmicos. Estes sistemas são também infinitos, como os átomos e os espaços vazios.

(Fim da primeira parte… continua no próximo post).

(1) Leucipo – encontrei pouca coisa sobre Leucipo. No livro base não há outra referência além desta até o momento. Sugiro olhar o pouco que existe na Wikipédia.

(2) Átomo – FIL para os pensadores gregos Leucipo e Demócrito (460 a 370 AC), cada uma das partículas minúsculas, eternas e indivisíveis, que se combinam e desagregam movidas por forças mecânicas da natureza, determinando desta maneira as características de cada objeto. (Houaiss)

Capítulo 3 – As novas cosmologias dos atomistas

25/01/2009

As novas cosmologias dos atomistas

A antinomia Heráclito-Parmênides havia encerrado o pensamento pré-socrático num labirinto sem saída. Por um lado os eleatas afirmavam que o ser não pode mudar e que é único. Por outro lado a experiência favorecia Heráclito ao mostrar a existência de muitos seres que certamente seriam mutáveis. Prisioneiros desse problema os últimos pré-socráticos buscaram uma solução que os permitisse escapar. E a solução que encontraram foi esta: O verdadeiro ser nem pode mudar, nem pode ser produzido de novo e nem deixar de ser. E aqui os eleatas têm razão. Mas isto não quer dizer que haja um só ser. Ao contrário, existem infinitos seres, e eles são imutáveis, que ao combinar-se entre si de um modo puramente mecânico produzem a realidade mutável do Universo. Estes seres minúsculos, no conceito parmenidiano de ser, são os átomos. Os últimos pré-socráticos são seus inventores e chamados de atomistas.

Os atomistas abandonam a consideração hilozoística (1) da matéria e se vêem obrigados a buscar uma causa eficiente das coisas e de suas mudanças. Empédocles colocou esta causa nas forças consideradas de uma maneira antropomórfica (2), Anaxágoras no entendimento divino e Demócrito no movimento eterno, como veremos a seguir.

(1) Hilozoismo: doutrina filosófica segundo a qual toda a matéria do universo é viva, sendo o próprio cosmo um organismo material integrado, possuindo características como animação, sensibilidade ou consciência. (Dicionário Houaiss – melhor que as anteriores – revisar as definições passadas)
(2) Antropomorfismo: [2] visão de mundo ou doutrina filosófica que, buscando compreensão da realidade circundante, atribui características e comportamentos típicos da condição humana às formas inanimadas da natureza ou aos seres vivos irracionais. (Dicionário Houaiss)

Obs.: Uma excelente leitura, um texto de Erwin Schrödinger, Nobel de Física de 1953, no site Ciência dos Materiais, da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais


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