Archive for the ‘Górgias’ Category

Ascetismo prático

06/02/2009

Ascetismo prático

Enquanto Protágoras e Górgias, ao ensinar o ascetismo puramente teórico, haviam deixado intactos todos os fundamentos da vida moral e social, outros sofistas aplicaram o ascetismo e relativismo à vida prática.

Hípias: ensinou que a lei é o tirano dos homens.

Polo e Trasímaco: ensinaram que nada é justo, senão o que é útil ao mais forte.

Calicles: ensinou que a vida boa consiste em que cada um dê satisfação a sua consciência da melhor maneira que consiga.

Não se pode negar a originalidade de muitos pensamentos dos sofistas. Houve entre eles muitos pensadores talentosos e sua influência no ambiente grego foi enorme. Mas toda essa cultura sofista tem um significado mais negativo que positivo para a causa do ascetismo. Sem dúvida também os sofistas impulsionaram o progresso da filosofia. Não só são merecedores de apreço pelo exercício da retórica e o desenvolvimento do método dialético, mas também que sua própria discussão ascética dos resultados do pensamento pré-socrático obrigou os filósofos posteriores a investigações mais profundas.

Toda a filosofia pré-socrática tinha obscuridade em suas expressões. Os sofistas abandonaram a forma poética e expressaram suas idéias em termos mais claros e precisos e, assim, contribuíram para a formação do estilo filosófico. Além disso, com os sofistas a filosofia saiu do estreito recinto das escolas e se divulgou em todo o povo grego. Finalmente não se pode esquecer que os sofistas foram os primeiros a deixar de lado a investigação cosmológica e estudar as questões da teoria do conhecimento, a psicologia e a ética e deram início ao período antropológico da filosofia grega.

Górgias

05/02/2009

Górgias de Leontini (480 a 375 AC) Nascido na Sicília foi para Atenas na qualidade de embaixador. Ensinou a arte da retórica em vários locais. Primeiramente professou a doutrina eleática mas depois assumiu o ascetismo que levou até o extremo em três teses: 1º que nada existe, 2º que ainda que existisse, não poderia ser conhecido e 3º que ainda que existisse e pudesse ser conhecido não poderia ser comunicado aos demais. Górcias, com essas três negações foi muito além de um vulgar ascetismo proclamando um desconcertante niilismo. Mas, “Górgias estaria falando sério?”. Zeller vê nas teses de Górgias somente uma tentativa de levar até o absurdo as possibilidades contidas no eleatismo. Seu sentido seria o seguinte: são tantas as antinomias que se seguem à admissão do ser que o mais lógico é dizer que nada existe.

Sofística e sofistas

03/02/2009

A palavra sofista era, antigamente, sinônima de sábio e se aplicava indistintamente para poetas, músicos e filósofos. Mas no século V AC toma uma outra conotação pejorativa e se aplica a um grupo de mestres ambulantes que vão para as cidades gregas ensinando o que eles chamam de “sabedoria” em troca de polpudos honorários. Essa acepção pejorativa da palavra toma mais força com Platão e Aristóteles. “É sofista, disse Platão, aquele que em sua disputa se compromete ao afirmar coisas contraditórias e com suas palavras engana de maneira maravilhosa seus ouvintes”. Aristóteles diz “Sofista é aquele que tira dinheiro da ciência que parece ser e não é”. Ambas definições coincidem em que a ciência dos sofistas é aparente e enganosa, pura inutilidade retórica e malabarismo conceitual no sentido de deslumbrar os ouvintes e sacar destes bons volumes de dinheiro. Platão não deixou de lado uma série de modelos interessantes para contrapor argumentações sofísticas envolvendo os sofistas em um turbilhão de palavras. Os sofistas ensinam o ascetismo e o relativismo tanto teoricamente como praticamente. A seguir veremos mais ao estudarmos Protágoras de Abdera e Górgias de Leontini.


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