Capítulo 1, artigo 1 – Os Jônicos – Anaximandro de Mileto

Anaximandro de Mileto (610 a 547 AC)

Parte da idéia de Tales que a variedade e multiplicidade aparente das coisas se resolve num princípio único. Mas, superando seu mestre, entende que este princípio não pode ser uma coisa determinada como a água, mas algo indeterminado, infinito, imortal e divino, que governa o todo,  que chama de ápeiron (*). Sempre foi difícil a definição desse ápeiron anaximândrico. Para Zeller seria uma espécie de primeira matéria aristotélica, porém viva e imortal.

Do centro de ápeiron, e por uma espécie de separação espontânea, brotam as coisas do mundo empírico. Anaximandro desenvolve uma teoria original da evolução e se adianta em 25 séculos às modernas hipóteses de Kant-Laplace e Lamark-Darwin. As primeiras manifestações que surgem desse processo dissociativo de ápeiron são o frio e o calor, que se condensam respectivamente na terra e no céu das estrelas fixas. Dentro da terra se separam, por sua vez, no sólido e no líquido, dando origem aos mares e ao continente. Pela ação do céu ardente os vapores ascendem do mar  e formam a região do ar entre a terra e o céu. Depois, do barro, originado pela separação parcial do mar e debaixo da ação incubadora do calor, aparecem os primeiros organismos em uma grande cadeia evolutiva que vai desde os peixes até o homem. Este singular evolucionismo anaximândrico, ascendente e construtivo, se consuma com o retorno das coisas ao centro de ápeiron, em castigo de um misterioso pecado que cometeram ao começar a existir. “As coisas devem perder-se onde nasceram, em penitência e castigo da sua injustiça, segundo a ordem do tempo”.

Anaximandro introduz o conceito de infinito e da evolução cósmica. Sua filosofia é o primeiro ensaio ocidental da explicação do universo por derivação do infinito.

(*) ápeiron no Dicionário Houaiss – grego – para o filósofo grego Anaximandro, a realidade infinita, ilimitada, invisível e indeterminada que é a essência de todas as formas do universo, sendo concebida como o elemento primordial a partir do qual todos os seres foram gerados e para o qual retornam após sua dissolução.

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