Capítulo 2, artigo 1 – Heráclito

Heráclito

Chamado de “o escuro” por causa da obscuridade de um poema filosófico(*), desenvolveu sua filosofia em Éfeso no ano 500 AC. Filho de família nobre, cedeu a seu irmão a dignidade sacerdotal, hereditária em sua linhagem, e renunciou a toda atuação na vida pública. Recebeu também o apelido de “filósofo chorão” pela gravidade hierática (1) de suas sentenças e, talvez, a seriedade sombria de seu caráter.

Heráclito é o filósofo do devir. A fórmula clássica de seu pensamento foi reconhecida por Aristóteles. É célebre também pela frase: “Não pode banhar-te duas vezes no mesmo rio, porque novas águas correm sempre sobre ti”. Mas a concepção heraclicista do devir universal está longe do moderno à época que propunha um movimento sem sujeito que se mova. Heráclito estabelece como princípio do devir o fogo. Tudo procede desse fogo eternamente vivo e tudo deve voltar ao mesmo fogo para surgir de novo em um processo circular de nascimento e destruição. E se o mundo é devir e o princípio do devir é o fogo em que tudo coincide, o todo é único, o Uno. Mas essa unidade brota da diversidade, da tensão dos opostos. A harmonia do universo resulta da coincidência dos distintos e o nascimento e conservação dos seres se devem a um conflito de contrários. Heráclito concebe esse fogo que tudo unifica com inteligência e divindade: o logos (2). Espírito e razão são inseparavelmente contidos em tudo e tudo se faz conforme a razão, dando aos seres harmonia em suas diferenças e regendo o universo segundo a lei da ordem. A alma do homem não é mais que uma centelha desse fogo divino, a qual, como todas as coisas, há de transformar-se e voltar, ressurgir.

O progresso de Heráclito é claro. Ele introduz na filosofia duas idéias tão importantes como o devir e o logos, que estimularam mais adiante o pensamento grego. Seu erro conceitual consiste em estabelecer o devir como essência das coisas. Com esse erro nega a própria característica do logos que é a possibilidade de uma imagem científica do Universo.

(1) Hierático: relativo às coisas sagradas ou religiosas.
(2) Logos: Para Heráclito de Éfeso, conjunto harmônico de leis, regularidades e conexões que comandam o universo, formando uma inteligência cósmica onipresente que se plenifica no pensamento humano (dicionário Houaiss)

(*) procurar o poema –> pendência

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2 Respostas to “Capítulo 2, artigo 1 – Heráclito”

  1. “A privataria tucana” e a antinomia da corrupção brasileira « políticAética Says:

    […] antinomia mais antiga é grega, filosófica, entre Heráclito, o filósofo do devir, que disse “Não pode banhar-te duas vezes no mesmo rio, porque novas […]

  2. samuel Says:

    Vc me ajuda muito com este blog.Obrigado!

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