Capítulo 2, artigo 2 – Parmênides

Parmênides (540 AC)

Sucessor e discípulo de Xenófanes, Parmênides é o metafísico da escola eleata. Seu mérito principal consiste no descobrimento do ser. Parmênides inaugura o pensamento que a primeira coisa que se deve dizer da realidade é o que é, que é o ser. O que é esse ser? Antes de tudo ele deve ser. Daí o princípio: o ser é. Este princípio se contrapõe ao seu par: O não-ser, não é. Destes dois princípios deduz todo seu sistema. Em efeito, se só o ser é, deve ser único, pois, se existir algo junto ao ser, só poderia ser o não-ser e o não-ser não é, não existe. Deve também ser imóvel porque o ser que muda não é ser. Finalmente o ser é não-criado já que ao contrário só poderia preceder do não-ser e o não-ser não é. Então o ser é, para Parmênides, uno, imóvel, e não-criado. Ainda que infinito ou eterno, espacialmente é delimitado e finito. Parmênides concebe o ser como uma esfera compacta e contínua cujas partes desde o centro para qualquer direção têm o mesmo peso. Desenvolve o conceito do ser sem fixar-se na experiência, pois ela dirá o contrário. Então, de que parte está a verdade? Na experiência ou na razão? Parmênides não duvida em responder que está na razão. O mundo que nos oferece a experiência é todo de multiplicidade e movimento, é um mundo aparente, que nada tem a ver com a razão, sendo somente alimento dos pensamentos ilusórios dos mortais.

Esta é a arquitetura da antologia parmenidiana. No fundo deste sistema está o princípio do racionalismo exagerado que Parmênides enuncia assim: “a mesma coisa é pensar e ser”. O erro fundamental de Parmênides é considerar o mundo conceitual tão ligado com a verdade que deixa o mundo real reduzido a mera aparência ilusória. Ao mesmo tempo o grande mérito não é só a descoberta do ser, mas também ter desenvolvido de tal forma sua metafísica que só se pode chegar a Deus para que seja verdadeira. Santo Agostinho, séculos depois, reproduz seu mesmo conceito “não foi nem será, porque de uma só vez tudo é”.

Obs.: Há um bom resumo de Parmênides que se encontra na Wikipédia baseado no livro Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros Mestres da Filosofia e da Ciência Grega do autor Miguel Spinelli. Aconselho para quem se interessar em aprofundar o estudo aqui. Há também um resumo mais sintético no site da PUC SP.  Um texto mais completo sobre Parmênides pode ser encontrado na WebArtigos.com escrito por ROSA, Garcia.

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Uma resposta to “Capítulo 2, artigo 2 – Parmênides”

  1. “A privataria tucana” e a antinomia da corrupção brasileira « políticAética Says:

    […] “Não pode banhar-te duas vezes no mesmo rio, porque novas águas correm sempre sobre ti” e Parmênides, o metafísico da escola eleata, que disse “o ser é, o não-ser, não é”. […]

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