Capítulo 2 – Conclusão sobre a filosofia dos Eleatas

Conclusão sobre a filosofia dos Eleatas, por Klimke e Colomer (1)

Da filosofia eleata podemos dizer que, em geral, foi uma notável tentativa de impor-se sobre toda realidade por meio da razão. Os filósofos eleatas empreenderam esta tentativa de forma exagerada, mas assim plantaram as bases da persuasão, que hoje todos sustentamos firmemente, de que todo o Universo é governado por leis imutáveis.

Outra definição do caráter do Eleatismo, por Filipe Galvão (2)

A escola jónica não aceitaria o devir do mundo, que se manifesta ao nascer, parecer e transformar as coisas, como um facto último e definitivo, porque intentara descobrir, para lá disso, a unidade e a permanência da substância. Não negara, todavia, a realidade do devir. Tal negação é obra da escola eleática que reduz o próprio devir a simples aparência e afirma que só a substância é verdadeiramente. Pela primeira vez, com a escola eleática, a substância se torna por si mesma princípio metafísico: pela primeira vez, é ela definida não como elemento corpóreo ou como número, mas tão-só como substância, como permanência e necessidade do ser enquanto ser. O carácter normativo que a substância revestia na especulação de Anaximandro, que via nela uma lei cósmica de justiça, carácter que fora expresso pelos pitagóricos no princípio de que o número é o modelo das coisas, surge assumido como a própria definição da substância por Parménides e pelos seus seguidores. Para eles a substância é o ser que é e deve ser: é o ser na sua unidade e imutabilidade, que faz dele o único objecto do pensamento, o único termo de pesquisa filosófica. O princípio do eleatismo marca uma etapa decisiva na história da filosofia, Ele pressupõe indubitavelmente a pesquisa cosmológica dos jónios e dos pitagóricos, mas subtrai-a ao seu pressuposto naturalista e trá-la pela primeira vez ao plano ontológico em que deveriam enraizar-se os sistemas de Platão e de Aristóteles.

(1) Livro base deste estudo
(2) Do site Forum Filosofia que indico e sugiro inscrição. Vale ressaltar que a cópia é autorizada por Filipe Galvão, a quem agradeço.

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