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Platão – Dialética – 1ª parte

27/02/2009

Dialética Platônica – 1a parte

Para conhecer Platão é indispensável o estudo da genesis de sua teoria das idéias. Os filósofos anteriores haviam chegado, em relação com o problema da ciência, a uma série de posições antinômicas. Para Parmênides o real se identifica com o ser único e imóvel, acessível só pela razão. Para Heráclito, ao contrário, a realidade se identifica com o devir múltiplo e mutável. A conseqüência desta posição é clara: se tudo no mundo é puro devir é impossível o conhecimento certo. Protágoras tira da conseqüência destas posições a relatividade total do conhecimento humano. Finalmente Sócrates, ao contemplar a difícil situação que havia chegado a filosofia no estudo do objeto se orienta ao sujeito e descobre os conceitos das coisas. Este era o estado do problema ao chegar a Platão. Deste apanhado caótico de doutrinas devia surgir sua teoria das idéias. Platão parte para ela com o princípio que a ciência verdadeira é possível. Mas a ciência não pode ter por objeto os seres mutantes do mundo como disse Heráclito que fluem perpetuamente, mas algo que seja imutável e eterno, pois só do imutável e eterno, como disse Parmênides, pode haver conhecimento certo.

Logo Platão conclui que por cima da ordem da realidade sensível deve existir uma realidade inteligível eternamente igual a si mesma, a qual remontamos com os conceitos, como havia descoberto Sócrates. Desta maneira Platão unificou as teorias de seus antecessores. Heráclito tinha razão ao afirmar que tudo em nosso mundo sensível é devir, mas se enganava ao negar a existência do verdadeiro ser. Parmênides também tinha razão ao proclamar a existência do ser, mas se equivocava ao fazê-lo único e ao negar a realidade do Universo. Finalmente Sócrates tinha razão ao buscar a ciência nos conceitos e definições dos objetos, mas devia ter estendido sua investigação ao mundo metafísico e estabelecido, como fundamento de seus conceitos, uma essência objetiva transcendente: a idéia.

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Platão – introdução à sua filosofia

24/02/2009

Introdução a filosofia de Platão

Platão tratou de quase todos os temas da filosofia. Mas há uma Filosofia de Platão?

Se por filosofia se entende um conjunto harmônico de teses ordenadas e coerentes então a filosofia de Platão não existe. O pensamento de Platão está sempre caminhando. Nada mais longe de sua mentalidade que a ordem e a coerência. Entretanto em um sentido mais amplo pode se falar de uma filosofia platônica se por filosofia se entende uma busca metódica do saber humano, dominada por várias posições fundamentais e características, tais como:

1º – A desconfiança dos sentidos
2º – A confiança absoluta no poder da razão
3º – A necessidade da purificação e do amor para a aquisição da verdade filosófica
4º – A necessidade da existência do mundo ideal para fazer possível a verdadeira ciência

Neste acepção menos rígida Platão tem uma filosofia própria e certamente das mais geniais que a história reconhece. Por esta questão há uma dificuldade de apresentar uma síntese ordenada do platonismo e por isso os críticos modernos preferem estudar a evolução de suas doutrinas ao invés de definir sua gênesis. Este método tem a vantagem de apresentar Platão como ele foi e não tentando definir uma idéia fixa de seu pensamento.

Platão é o primeiro pensador que desenvolveu toda temática filosófica. A filosofia pré-socrática era fragmentaria e se reduzia quase exclusivamente ao problema cosmológico. Sócrates mudou de direção e orientou sua investigação para o problema ético e psicológico. Com Platão a filosofia penetra em ambos domínio e entra a ciência do objeto e do sujeito. Além disso, com Platão convergem todas as correntes anteriores. O ser de Permênides e o devir de Heráclito, os números de Pitágoras e os conceitos e definições universais de Sócrates, todo esse acervo de doutrinas opostas se unificam em Platão mediante sua original teoria das idéias que constitui o eixo do platonismo como no modelo divisório abaixo, comum na escola platônica:

Ciência das idéias em si: Dialética

Ciência da participação das idéias
–No mundo sensível: Física
–No mundo moral: Ética
–No mundo artístico: Estética

O idealismo de Platão – introdução histórica

19/02/2009

Platão (427 a 347 AC)

É o mais genial discípulo de Sócrates. Se chamava Aristócles mas segundo contam seu mestre de escola lhe colocou o nome de Platão (1) por causa da amplitude de seu peito. Nasceu em Atenas no seio de uma família aristocrática e tinha parentes que exerciam cargos importantes no governo da República. Durante sua juventude foi ligado as artes e em particular à poesia. Parece que escreveu algumas tragédias. Em seu tempo viviam dois dos três principais dramaturgos gregos, Sófocles e Eurípedes pois o terceiro, Ésquilo, já havia morrido. Platão começou o estudo da filosofia com 20 anos sob o magistério do heraclitiano Crátilo. Influenciado pelo seu mestre compartilhou a opinião de Heráclito sobre o devir universal. Logo deixou Crátilo para seguir as aulas de Sócrates por oito anos. Com a morte de Sócrates em 399 AC Platão saiu de Atenas e se refugiou na cidade vizinha de Megara., na casa do dialético Euclides, onde permaneceu até que terminassem a perseguição contra os filósofos que vitimou Sócrates, seu mestre querido. Alguns anos mais tarde se entregou às viagens. Primeiro ao Egito, logo depois a Cirene onde ficou amigo do célebre matemático geométrico Teodoro e depois para a Magna Grécia onde conheceu a doutrina dos pitagóricos. Fez, depois, três viagens a Sicília com objetivo de visitar o famoso tirano Dionísio de Siracusa com cujo sobrinho, Dion, Platão estabeleceu íntima amizade. Parecia que Dionísio se interessava pelos ideais políticos do filósofo mas articulou uma viagem de Platão com o embaixador espartano e lhe aconselhou vendê-lo como escravo quando chegassem à Grécia, o que aconteceu. Platão foi vendido em Egina e teve que ser resgatado pelo viajante cirenaico Anníceris. Livre, Platão retornou a Atenas onde fundou sua escola, a Academia, chamada assim por estar situada no campo de um tal Academo. Desde este tempo até sua morte aos 80 anos se ocupou somente em ensinar e escrever. Morreu em 347 durante a guerra que Filipo da Macedônia teve com os atenienses, guerra esta que acabaria com a independência política de Atenas.

(1) Πλάτος (plátos) em grego significa amplitude, dimensão, largura.  (Wikipedia)

Socráticos menores

17/02/2009

Os socráticos, no sentido pleno da palavra, são Platão e Aristóteles que veremos adiante. Mas é necessária uma breve menção sobre os socráticos menores, que fundaram escolas e procuraram juntar a filosofia socrática com a do período anterior. São quatro: Escola Megárica ou de Megara, Escola Elíaca (1), Escola Cirenaica ou Hedonista e Escola Cínica.

Escola Megárica: Fundada pelo discípulo de Sócrates, Euclides de Megara (444 a 369 AC), tentou juntar a ética de Sócrates com o monismo antológico dos eleatas, ou, de outra forma, desenvolver a filosofia eleática a partir do ponto de vista ético.

Escola Elíaca: Fundada pelo discípulo de Sócrates, Fédon, da cidade de Elis, não teve grande discrepância da escola megárica. Os filósofos aqui também se estregaram em demasia a dialética erística (2). Nada de maior importância há na História sobre estes filósofos.

Escola cirenaica ou Hedonista: Fundada por Aristipo de Cirene (435 a 355 AC), discípulo de Sócrates, ensinou o subjetivismo sensível, quer dizer, que a especulação é vã e que a sensação nada nos ensina fora do presente estado subjetivo. Os cirenaicos aplicaram este subjetivismo da sensibilidade na Ética.: o supremo humano não é a virtude, mas a felicidada, e esta, por sua vez, consiste no deleite que deve ser considerado como um prazer que passa e não como um estado ou maneira permanente. O conhecimento e a virtude não passam de meios para alcançar o deleite, o primeiro (conhecimento) remove os entraves, o que nos separa da aquisição de prazer, e a virtude nos ajuda a ser moderados no deleite, para que possam ser gozados por mais tempo.

Escola cínica: Fundada por Antístenes de Atenas (444 a 369 AC), discípulo de Górgias e depois de Sócrates, cultivou a princípio a ética socrática, mas desviou para um exagero de desapego da civilização que consideravam a causa dos homens não serem bons. Desejaram uma volta a vida mais primitiva possível afirmando que aquele que é inteiramente feliz não necessita de cultura e da civilização. Diógenes de Sinope é um dos discípulos deste escola.

(1) – vários autores não citam a escola Elíaca.
(2) Erística – na antiguidade gregam arte ou técnica de disputa argumentativa no debate filosófico, desenvolvida sobretudo pelos sofistas, e baseada na habilidade verbal e acuidade de raciocínio. (dicionário Houaiss)

Sócrates (469 a 399 AC) – 4ª e última parte

15/02/2009

Doutrina socrática: (continuação e finalização)

O objeto da filosofia socrática é o homem como ser moral. Desta maneira Sócrates dá início ao período antropológico da filosofia grega de forma magnífica. A consideração do mundo e de Deus não é inteiramente descuidada, mas é somente empregada quando necessária e subordinada ao objeto primário, como dito, o homem como ser moral.

Assim Sócrates, da ordem e da finalidade do mundo, deduz a existência de Deus como um ser uno, com suprema inteligência, sábio, onipotente, bom e generoso provedor, mas não se preocupa em dar uma definição mais além de Deus, pois basta-lhe o conhecimento de Deus que faz o homem trabalhar moralmente.

Sócrates, apoiado neste conhecimento de um Deus bom e provedor, não só fazia um certo otimismo antropológico como vimos anteriormente, mas também um otimismo cosmológico: este mundo é o melhor e não traz nada de mau em si mesmo.

Ainda que Sócrates não tenha desenvolvido um sistema completo de filosofia, contribuiu muito com seu progresso, mais ainda, desenvolveu o período sistemático, por que:

1º – Procurando das conceitos e definições claras o direto e exato método científico/filosófico que Platão e Aristóteles aperfeiçoaram mais tarde e cultivaram em todas as áreas da filosofia.

2º – Iniciou o período antropológico que, ante tudo, considera o homem e planta os fundamentos da filosofia ética. Além dessa consideração ética e antropológica, ampliar muitas outras áreas de filosofia.

3º – Com esta consideração ética aponta o íntimo vínculo entre a filosofia teórica e a vida prática, apesar de alguns exageros nessa linha.

4º – Merece elogios também pelo combate ao ascetismo teórico e a perniciosa licença política e moral de sua época.

Sugestão de leitura complemetar:

Rosana Madjarof no site Mundo dos Filósofos

Marilena Chauí no site Scribd

Sócrates – 2a parte – continuação da doutrina

13/02/2009

Sócrates (469 a 399 AC) … 3ª parte

Doutrina socrática: (continuação)

Sócrates se dirigia à virtude pela ciência. O resultado de sua investigação científica gera conceitos e definições dos objetos. Mas qual a relação entre os objetos com a virtude? A resposta está no intelectualismo da ética socrática. Para ele o sábio é o virtuoso. Conhecer uma virtude é já possuí-la. O conhecimento não é só um meio para a virtude, mas sim a própria virtude. Sócrates parte do postulado eudemonístico (1) que o bem moral se identifica com o útil. Por outro lado, a motivação da obra humana é para Sócrates a própria utilidade. Neste princípio a conduta viciada, ou moralmente má, não pode atribuir-se à vontade na medida que esta busca sempre o útil que se identifica com o bom, então somente pode vir de um defeito intelectual: a ignorância do que é útil ou o erro de crer útil o que não é. Por isso, o sábio que já superou o erro e a ignorância e possui um verdadeiro conceito das virtudes é necessariamente um virtuoso.

As críticas sobre a ética socrática são: 1ª a estima exagerada da ciência para a vida moral prática (intelectualismo ético), 2ª a identificação do bem moral com o útil (utilitarismo ético) e 3ª a doutrina que o homem é naturalmente bom (otimismo ético).

(1) Eudemonismo – doutrina que considera a busca de uma vida feliz, seja no âmbito individual seja coletivo, o princípio e fundamento dos valores morais, julgando eticamente positivas todas as ações que conduzam o homem à felicidade.

Sócrates – 2a parte – a doutrina

11/02/2009

Sócrates (469 a 399 AC) … 2ª parte

Doutrina socrática:

Sócrates é o mais alto expoente do intelectualismo grego que crê, reagindo aos sofistas, no valor da razão humana. Sua investigação filosófica parte da idéia-postulado que a ciência ainda não existe até o momento, mas que é possível construí-la empregando um método adequado. Aristóteles assim expõe a questão: “Sócrates se encerrou na especulação das virtudes morais e foi o primeiro que indagou as definições universais dos objetos”.

Ressalta-se da resenha aristotélica:

1º – A idéia da investigação lógica de Sócrates que o conduziu aos universais e as investigações das coisas.

2º – O ideal ético que orienta toda sua especulação causava o conhecimento das virtudes morais.

O pensamento socrático inclui os estados lógico e moral intimamente entrelaçados entre si. Na mentalidade de Sócrates “a ciência é o caminho da virtude”

Sócrates, ao dirigir-se à virtude pela ciência necessita antes de tudo conhecer essa última. O método até então empregado lhe parece inadequado. A filosofia até então era fundamentada nos problemas cosmológicos e antológicos, mas a seu juízo os mistérios do mundo e do ser não seriam descobertos até que se penetrasse no conhecimento profundo da natureza humana. O método para esse conhecimento próprio era a introspecção estimulada pelo diálogo.

O diálogo socrático consta de dois processos bem definidos que se chamam ironia e maiêutica (1). A ironia tem por objeto persuadir o interlocutor de sua ignorância, mostrando a ele que aquilo que crê saber, por exemplo a justiça, não é como ele entende. Deste modo o discípulo se vê obrigado a reconhecer sua própria insuficiência e a dizer junto com o mestre: “Só sei que nada sei”. Mas Sócrates não parava na doutrina da ignorância, imediatamente entrava em jogo o segundo passo de seu método: a maiêutica. Valendo-se de hábeis perguntas levantava a conversação dos casos particulares e resultados mais gerais até conseguir, com essa simples forma de indução, que o discípulo iluminasse em seu interior o conceito do objeto e depois de determinar a essência das coisas, alcançasse sua definição.

Os três escalões do método socrático são então: a indução, a conceituação e a definição.

(1) Maiêutica: relativo ao método socrático de ensinar de tal modo que as idéias fossem paridas no curso do diálogo. (dicionário Houaiss)

… continua…

Instituição do Método Científico por Sócrates – 1a parte

07/02/2009

Sócrates (469 a 399 AC)

Nascido em Antenas, primeiro foi escultor, como seu pai, depois se dedicou ao estudo da Filosofia e a educação da juventude, mais profundamente sobre a moral. Sócrates é digno de elogios pela moderação das paixões, pela pureza de sua vida, por sua calma, pela ausência de egoísmo, pelo amor à verdade, pelo seu grande apreço a vida honesta e por seu patriotismo. A grande influência que exerceu na juventude e suas reprovações políticas de ações que considerava indecorosas atraíram ódios de muitos. Acusaram-no de falar mal da religião pública, que depreciava deuses e que corrompia a juventude. Condenado e encarcerado não quis aproveitar uma fuga preparada por um de seus discípulos e cometeu suicídio tomando cicuta.

A verdadeira causa desse ódio que Sócrates atraiu foi sua oposição a maneira como então se governava a democracia ateniense, pois censurava abertamente o costume de distribuição de cargos públicos para interesses políticos quando considerava que somente sábios e prudentes poderiam ocupa-los, os únicos aptos a governar a República.

Sócrates não deixou suas doutrinas escritas e só as conhecemos de fontes da época entre as quais se sobressaem as obras de Jenofonte, principalmente os Memoráveis e as de Platão. Também se encontram algumas referências em Aristóteles. Porém não se podem tirar informações precisas de Sócrates pois Jenofonte, que principalmente escreve sobre a doutrina ética, não é comparável em seu talento com Sócrates. Platão que melhor expõe as idéias dialéticas e metafísicas, as desenvolve com freqüência à sua maneira e mescla com elas suas próprias idéias.

… continua…

Ascetismo prático

06/02/2009

Ascetismo prático

Enquanto Protágoras e Górgias, ao ensinar o ascetismo puramente teórico, haviam deixado intactos todos os fundamentos da vida moral e social, outros sofistas aplicaram o ascetismo e relativismo à vida prática.

Hípias: ensinou que a lei é o tirano dos homens.

Polo e Trasímaco: ensinaram que nada é justo, senão o que é útil ao mais forte.

Calicles: ensinou que a vida boa consiste em que cada um dê satisfação a sua consciência da melhor maneira que consiga.

Não se pode negar a originalidade de muitos pensamentos dos sofistas. Houve entre eles muitos pensadores talentosos e sua influência no ambiente grego foi enorme. Mas toda essa cultura sofista tem um significado mais negativo que positivo para a causa do ascetismo. Sem dúvida também os sofistas impulsionaram o progresso da filosofia. Não só são merecedores de apreço pelo exercício da retórica e o desenvolvimento do método dialético, mas também que sua própria discussão ascética dos resultados do pensamento pré-socrático obrigou os filósofos posteriores a investigações mais profundas.

Toda a filosofia pré-socrática tinha obscuridade em suas expressões. Os sofistas abandonaram a forma poética e expressaram suas idéias em termos mais claros e precisos e, assim, contribuíram para a formação do estilo filosófico. Além disso, com os sofistas a filosofia saiu do estreito recinto das escolas e se divulgou em todo o povo grego. Finalmente não se pode esquecer que os sofistas foram os primeiros a deixar de lado a investigação cosmológica e estudar as questões da teoria do conhecimento, a psicologia e a ética e deram início ao período antropológico da filosofia grega.

Górgias

05/02/2009

Górgias de Leontini (480 a 375 AC) Nascido na Sicília foi para Atenas na qualidade de embaixador. Ensinou a arte da retórica em vários locais. Primeiramente professou a doutrina eleática mas depois assumiu o ascetismo que levou até o extremo em três teses: 1º que nada existe, 2º que ainda que existisse, não poderia ser conhecido e 3º que ainda que existisse e pudesse ser conhecido não poderia ser comunicado aos demais. Górcias, com essas três negações foi muito além de um vulgar ascetismo proclamando um desconcertante niilismo. Mas, “Górgias estaria falando sério?”. Zeller vê nas teses de Górgias somente uma tentativa de levar até o absurdo as possibilidades contidas no eleatismo. Seu sentido seria o seguinte: são tantas as antinomias que se seguem à admissão do ser que o mais lógico é dizer que nada existe.

Protágoras

04/02/2009

Protágoras de Abdera (480 a 410 AC) Protágoras ensinou retórica na Sicília, na Itália e em Atenas e foi tão versado em ciências que alguns o admiravam como um deus por sua sabedoria. Caiu no ascetismo por causa da doutrina de Heráclito sobre o perpétuo fluxo de todas as coisas e sobre o valor somente relativo do conhecimento sensível. Ensinou o ascetismo e o relativismo com estas palavras “Assim como as coisas me parecem, assim elas o são para mim; assim como elas te parecem, assim elas os são para ti pois tu és homem e também o sou”. Há outra frase sua célebre “O homem é a medida de todas as coisas: das que existem, porque são; e das que não existem, porque não são”. Esta doutrina de Protágoras não exibe, contudo, o relativismo universal antropológico, mas o relativismo individualista que aparece manifestada na sentença acima. A maior importância de Protágoras foi por ter sido o primeiro que desenvolveu a doutrina de Heráclito que havia concebido não somente o contínuo fluxo das coisas, e que nós conhecemos algo estável como princípio deste fluxo contínuo, que é o fogo. Protágoras, de outra forma, ensinou que existe somente algo indeterminado que não se pode conhecer, e estabeleceu a impossibilidade de todo conhecimento exato, coisa que Heráclito não havia feito.

Obs.: sugestão de leitura complementar – texto de Ricardo Gonçalves no site da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Sofística e sofistas

03/02/2009

A palavra sofista era, antigamente, sinônima de sábio e se aplicava indistintamente para poetas, músicos e filósofos. Mas no século V AC toma uma outra conotação pejorativa e se aplica a um grupo de mestres ambulantes que vão para as cidades gregas ensinando o que eles chamam de “sabedoria” em troca de polpudos honorários. Essa acepção pejorativa da palavra toma mais força com Platão e Aristóteles. “É sofista, disse Platão, aquele que em sua disputa se compromete ao afirmar coisas contraditórias e com suas palavras engana de maneira maravilhosa seus ouvintes”. Aristóteles diz “Sofista é aquele que tira dinheiro da ciência que parece ser e não é”. Ambas definições coincidem em que a ciência dos sofistas é aparente e enganosa, pura inutilidade retórica e malabarismo conceitual no sentido de deslumbrar os ouvintes e sacar destes bons volumes de dinheiro. Platão não deixou de lado uma série de modelos interessantes para contrapor argumentações sofísticas envolvendo os sofistas em um turbilhão de palavras. Os sofistas ensinam o ascetismo e o relativismo tanto teoricamente como praticamente. A seguir veremos mais ao estudarmos Protágoras de Abdera e Górgias de Leontini.

Nascimento da Filosofia clássica

02/02/2009

Nascimento da filosofia clássica – período lógico-eurístico

Ao final da etapa pré-socrática se inicia na filosofia grega uma época de cansaço e decadência intelectual caracterizada pelo ascetismo dos sofistas. A semente do ascetismo estava já latente nos eleatas e em Demócrito. A antinomia Heráclito-Parmênides com as soluções insuficientes que lhe deram os atomistas, acabou por levar os espíritos à duvida. Soma-se à esse momento as condições sócio-políticas da época. A vitória contra os persas produziu uma grande prosperidade em todas as ordens. Ao florescimento literário e artístico do século de Péricles se une um grande desejo de saber e divulgação da ciência por todas as classes da sociedade. Mas esta mesma difusão do saber científico acabou em dano à própria ciência que se tornou mais utilitária e superficial. A constituição democrática da República ateniense estimulou os jovens a cultivar a arte de falar e persuadir, com vistas a conquistar cargos públicos. Desta maneira o estudo sério da filosofia e das ciências foi substituído pelo cultivo da arte singular de defender as próprias opiniões e, com dizia Protágoras, de fazer forte o discurso débil. Com isto foi deixado de lado a investigação da verdade e se busca somente triunfar uma tese qualquer. Logo os sofistas se encarregaram de difundir que não existe verdade objetiva e que tudo pode ser provado ou refutado.

Neste momento Sócrates se lança contra esse ascetismo dos sofistas com sua metodologia científica. Sócrates foi o mais terrível adversário dos sofistas. Mesclado como eles, entre os jovens, e usando suas próprias técnicas pedagógicas, orientou o pensamento grego para o conhecimento exato dos conceitos das coisas e as virtudes morais. Os pré-socráticos ficam já muito distantes dessas atualidades. O ascetismo dos sofistas foi superado. E o terreno está preparado para a grande floração do platonismo.

Formação da filosofia clássica

01/02/2009

Formação da filosofia clássica – período de evolução ou antropológico

1 – Introdução

Podemos dividir o caráter desse período em: 1º Convergem para Atenas muitas doutrinas filosóficas diversas porque muitos filósofos se mudam para lá e assim seus pensamentos não só são conhecidos como uns estimulam os outros e acrescentam suas investigações filosóficas; 2º O fluxo dos sofistas provoca uma reação contrária e assim aparecem vários filósofos que trabalham com todas suas forças para defender e provar cada vez mais profundamente o valor objetivo tanto do conhecimento como da ordem moral; 3º Todas essas correntes os obrigam a tratar do problema antropológico; 4º A filosofia não deixa de ser dogmática porque não se põe em dúvida a aptidão e atitude da mente para conhecer a verdade; 5º São propostas as questões fundamentais da filosofia; a investigação é mais aprofundada e aguda; a exploração da doutrina é feita de forma mais perfeita, porém poético-literária por Platão e mais científica, metódica e estritamente racional com Aristóteles. As obras destes filósofos constituem um exemplar clássico para a posteridade e por essa razão se diz que este período é o ponto culminante da filosofia antiga; 6º Pode-se afirmar que o objeto principal da filosofia deste período é o homem, que o método predominante é a observação psicológica e a reflexão racional, e que este período é da perfeição e da maturidade.

2 – Divisão

Em quatro capítulos. O primeiro sobre o nascimento da filosofia clássica na rivalidade socrática-sofística (1). O segundo sobre seu pleno desenvolvimento pelas obras de Platão e Aristóteles. O terceiro sua decadência nas escolas estóicas e epícuras. No quarto e último sua dissolução com o ascetismo (2) e ecletismo (3).

Distinguem-se, então, o grande período central da filosofia grega em quatro períodos: 1º período lógico-eurístico, 2º período sistemático, 3º período ético e 4º período ascético.

(1) Sofisma: argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. (1.a) Sofística: FIL na Grécia dos séculos V e IV AC, fenômeno cultural de implicações filosóficas, e especialmente retóricas, caracterizado pelos ensinamentos e doutrinas dos diversos mestres da eloqüência denominados sofistas (Protágoras de Abdera, Górgias de Leontinos, etc), que, além de ministrarem aulas de oratória e cultura geral para os cidadãos gregos, interferiam em acirrados debates filosóficos, religiosos e políticos da época.

(2) Ascetismo: FIL REL doutrina de pensamento ou de fé que considera a ascese, isto é, a disciplina e autocontrole estritos do corpo e do espírito, um caminho imprescindível em direção a Deus, à verdade ou à virtude.

(3) Ecletismo: FIL diretriz teórica originada na Antiguidade grega, e retomada ocasionalmente na história do pensamento, que se caracteriza pela justaposição de teses e argumentos oriundos de doutrinas filosóficas diversas, formando uma visão de mundo pluralista e multifacetada.

Obs.: todas as definições são extraídas do dicionário Houaiss.

Livro III – As novas cosmologias dos atomistas – Resumo

01/02/2009

Livro III – As novas cosmologias dos atomistas – Resumo
(495 a 370 AC)

1 – Pluralismo eclético: Se professa um mecanicismo incompleto. Tenta explicar o mundo por elementos qualitativamente diversos.

1.a – Empédocles (495 a 435 AC): Quatro elementos (água, ar, fogo e terra); o princípio do movimento reside no amor e ódio; as almas e deuses resultam da mescla dos elementos.
1.b – Anaxágoras (500 a 428 AC): Infinitos elementos; princípio da mudaças é o Nous, cuja existência se prova pelo movimento e ordem cósmica.

2 – Doutrina atomista: Mecanicismo puro; número infinito de elementos (átomos) quantitativamente diferentes.

2.a – Leucipo
2.b – Demócrito (460 a 370 AC): Número infinito de átomos; os princípios do movimento são o peso como causa eficiente e o vazio como condição; evolução mecânica do cosmos; conhecimento por meio de imagens.