Platão – Dialética – 4ª parte – República

A ciência consiste na intuição das idéias (República)

A verdadeira solução ao problema da ciência deve ser buscada na República onde Platão expõe sua teoria da ciência como intuição do mundo inteligível. Antes, porém, é preciso expor sua doutrina sobre os graus de conhecimento pelos quais a alma se eleva desde a ignorância até a ciência, passando pelo estado intermediário da opinião. Os três graus do conhecimento têm objetos diversos: a ignorância o não-ser; a ciência o ser em si ou as idéias e a opinião corresponde a posição intermediária, a que se coloca entre o ser e o não-ser, ou seja, as coisas que se movem no cosmos. O esquema dos graus platônicos do conhecimento é

Grau             Objeto

Ignorância —Não-ser
Opinião ——-Devir
Ciência——–Ser

Deixando de lado a ignorância que não é mais que a ausência de conhecimento e que Platão atribui como objeto o não-ser, pela sua incapacidade de ser conhecido, vamos estudar os graus restantes: a opinião e a ciência.

A opinião é um juízo que versa sobre os seres do mundo sensível. Seu ponto de partida é a sensação e vem a ser como uma síntese das sensações anteriores. Por isso seu objeto, como o da sensação, é o devir. A opinião é mutante e pode ser falsa. Ao não se enraizar sempre na verdade vacila entre a crença e a conjectura. O objeto da conjectura são as imagens dos seres sensíveis, o da crença, os mesmos seres sensíveis: animais, plantas e obras da natureza e da arte.

A ciência é o conhecimento do ser que é plenamente e que, por isso, é plenamente inteligível. A ciência só se ocupa das essências ideais. Só estas sempre idênticas a si mesmas, simples, puras e imutáveis, podem traduzir-se em proporções invariáveis, válidas para todas as porções de tempo e espaço. A ciência tem dois graus: o conhecimento racional e a intuição. O conhecimento racional ocupa o lugar intermediário entre a opinião e a intuição. A alma se serve ainda de imagens, como os matemáticos e geométricos, para despertar as idéias. Seu objeto parece ser os inteligíveis de ordem matemática, próprios da aritmética e da geometria. A intuição é o maior supremo de conhecimento. Seu objeto são as idéias ou essências inteligíveis. Todo esse processo de ascensão desde a ignorância até a ciência é o que Platão chama de marcha dialética e que foi expressa graficamente na famosa Alegoria da Caverna ou Mito da Caverna como também é chamado.

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4 Respostas to “Platão – Dialética – 4ª parte – República”

  1. eliseu Says:

    Hummmmmmmm!

  2. paxajax Says:

    Não entendi muito bem seu comentário, eliseu.

  3. Diego Viana Says:

    É ótimo encontrar um blog de filosofia em português. Eles são raros, não sei por quê.

    Eu queria deixar uma rápida contribuição: Platão divide as opiniões em enganadas e acertadas. É uma divisão que tem um papel importante nos textos políticos, porque passar de uma à outra é o máximo a que o diálogo não dialético pode almejar. Na Teoria do Conhecimento, conforme se vê no Menão, a opinião acertada é quase um obstáculo ao verdadeiro saber, porque oblitera a razão.

    Abraço,
    Diego

    PS: Acho que o eliseu quis dizer Hummmmmmmm!🙂

  4. Pax Says:

    Diego,

    Pena que o blog esteja meio parado por falta de tempo. Ainda há mais capítulos sobre Platão que não foram escritos.

    Obrigado pela visita e contribuição.

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