Platão – Dialética – 5ª parte – Convite, Fedro

A função auxiliar do amor (Convite, Fedro)

Depois da ascensão intelectual da alma até a Ciência, que acabamos de descrever, sucede em o Convite e em Fedro o que é chamado “dialética do amor”. O Amor, filho de Poros, o deus da Abundância e de Penia, a deusa da Pobreza, recebeu de herança as qualidades de seus progenitores. Como filho de Penia é pobre, fraco e culto, vive e dorme ao ar livre, pelas portas e pelos caminhos. Como filho de Poros é varonil, diligente, e corre atrás do que é bom e belo. É simplesmente filosófico, pois a filosofia é ma das coisas mais belas. Esporeado por seu desejo de verdade e beleza o Amor busca sem descanso sua possessão até que um dia vislumbra abaixo um reflexo da Beleza suprema. E, então, já sobre a trilha do objeto ansiado, ascende pela escala do belo, por cima dos corpos belos, das belas ações, das ciências belas, e penetra no umbral da verdade (1) para saciar sua sede na contemplação da Beleza eterna.

Os críticos discutem sobre o sentido deste bonito mito platônico. Vêem nele uma verdadeira dialética do amor (Taylor), uma intuição intelectual do ser (Zielgler), uma tendência ateórica (Calogero), etc. Parece mais provável a intepretação de Robin, que atribui a Eros uma função propedêutica (2) como ordem para facilitar a ascensão intelectual a partir do ser. O Amor é, assim, um auxiliar que eleva a alma do sensível até o conhecimento do inteligível.

(1) verificar pois está em grego

(2) Propedêutica – corpo de ensinamentos introdutórios ou básicos de uma disciplila; ciência preliminar, introdução (dicionário Houaiss)

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5 Respostas to “Platão – Dialética – 5ª parte – Convite, Fedro”

  1. shirlei horta Says:

    Adorei esse blog. Adorei. Até esqueci o que foi que eu vim fazer aqui.

  2. Edu Says:

    Cara, seja quem for, parabéns pelo blog! Estou estudando psicologia agora e psico e filosofia andam muito juntas. É ótimo encontrar um lugar para ler textos filosóficos sem a densidade do para entender o básico da filosofia!

    Agora, em relação ao amor, posso estar sendo presunçoso demais, mas não é uma explicação simples de que, para que você conheça a verdade você tem que saber que você está “pobre” em termos de conhecimentos e que você deve ser “ávido, diligente e varonil” para buscar novas fontes de conhecimento. A beleza do mundo está em encontrar verdades.

    Abraço

  3. Pax Says:

    Obrigado aos dois, Shirlei e Edu.

    Pena que parei por uns tempos, mas este blog vai continuar, sim.

    Abraços.

  4. Brancaleone Says:

    Vão me bater mais que Judas em Sábado de Aleluia mas não posso deixar de comentar que a filosofia não existira sem vocabulário. Filosofia é a arte de escrever de forma rebuscada, chata e prolixa as mais simples e óbvias verdades do mundo. Sempre digo que as maiores verdade do mundo cabem num parachoque de caminhão e de fato, tem mais verdades escritas em parachoques de caminhões que em muitos tratados de filosofia.
    Fazer o quê. em os que gosta de filosofia. Eu odeio.

  5. E-Culto E-Books Says:

    Muito bons textos! Da gosto encontrar Blogs Assim!!🙂

    Se vc se interessar, temos uma boa sessão de E-Books Filosoficos…

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