Archive for novembro \20\UTC 2009

Platão – Dialética – 10ª parte – Aspecto ontológico – O problema da participação

20/11/2009

Aspecto ontológico – O problema da participação (Parmênides)

As ideias, ainda que separadas e distintas do mundo das coisas, entram em relação com estas por meio de uma misteriosa participação.

Aristóteles combateu essa teoria de seu mestre. Para ele, recorrer à participação para resolver o problema da relação das ideias com as coisas “é pegar-se de palavras vazias e fazer metáforas poéticas”. O próprio Platão se deu conta que aí estava um ponto fraco de sua teoria das ideias e dedica um capítulo inteiro, Parmênides, a revisá-la sem piedade. O diálogo apresenta em forma dramática uma discussão entre o grande Parmênides e Sócrates jovem.

A primeira solução que Sócrates oferece se baseia na teoria da participação. Os diferentes objetos que constituem um gênero ou uma espécie participam de uma mesma ideia. Sócrates abandona essa defesa ante os ataques de Parmênides e sugere uma nova solução: a teoria da imitação. Os objetos particulares imitam as ideias. Estas se convertem em exemplares e as coisas em imagens das ideias. Mas tampouco a nova teoria resiste aos ataques poderosos do adversário. O abismo que a teoria das ideias tem entre o mundo sensível e o inteligível cai sem salvação.

Platão se contenta em encerrar o diálogo reafirmando sua fé na teoria, apesar de tantas dificuldades, pois sem ela se destruiria a ciência.

Platão – Dialética – 9ª parte – Aspecto ontológico – A ideia de Bem e de Deus de Platão

12/11/2009

Aspecto ontológico – A ideia de Bem e de Deus de Platão

Um dos problemas mais interessantes do platonismo: a natureza do Bem em relação à concepção da Divindade.

Platão certamente reveste o Bem de atributos próprios de Deus ao fazê-lo causa exemplar, eficiente e final de toda realidade, tanto no mundo inteligível quanto no mundo sensível. A tal Ser chamaríamos de Deus.

Platão pensava assim?

Para alguns críticos o Deus de Platão coincide com a ideia do Bem. Para outros Platão sustentou um dualismo entre Deus e a ideia do Bem. De fato coexistem em Platão vários conceitos da Divindade. Além da ideia geral de Deus, aparecem nos diálogos, revestidos de caráter divino, o Bem, o Demiurgo e a Alma ou Inteligência do mundo.

Qual deles era o Deus de Platão?

Apesar de algumas interpretações contrárias, não só dos antigos como de críticos modernos, o Bem nunca é chamado de Deus por Platão, mas sim o Demiurgo, que é o ordenador supremo do mundo, é o pai e arquiteto do Universo, o Deus que criou o mundo por amor e que moldou com suas próprias mãos a Alma do mundo.

Apesar de um acúmulo de conceitos nem sempre muito coerentes, que leva vários historiadores a sentenças mais adversas, a conclusão mais aceitável parece ser que para Platão a ideia do Bem é o supremo Inteligível, a Realidade em si, o Divino impessoal, mas não Deus.

O Deus de Platão é o Demiurgo ou a Alma cósmica, uma Inteligência transcendente das Ideias que criou o mundo sensível à imitação do mundo inteligível.

Platão – Dialética – 8ª parte – Aspecto ontológico – propriedades das ideias

09/11/2009

Aspecto ontológico – propriedades das ideias

Da noção platônica de ideia se deriva uma série de propriedades. As ideias são essenciais reais, subsistentes em si mesmas, transcendentes ou separadas das coisas sensíveis até formar uma realidade distinta da sensível: o mundo inteligível; espirituais, imutáveis e eternas.

As ideias reduzem à unidade a multiplicidade das coisas sensíveis. Cada uma delas é a redução do múltiplo ao uno, pois quando é participada por muitos indivíduos expressa as propriedades de todas as ocorrências.

Há ideias de todas as coisas. Tudo que pode alcançar a unidade de um conceito universal tem também sua própria ideia. Finalmente as ideias se relacionam entre si com vínculos de coordenação e subordinação até constituirem uma ordem hierárquica.

As ideias, separadas das coisas, não existem entre si, somente participam umas de outras.

A ordem lógica se transforma assim em uma ordem real na qual umas ideias incluem outras até chegar a quatro gêneros irredutíveis entre si: o movimento e o repouso, o uno e o outro, os quais, se não podem comunicar-se entre si, participam do ser, último e supremo gênero do mundo inteligível, ao qual preenche com sua imensidão.

No vértice dessa hierarquia unitária se encontra a ideia do Bem, “a parte mais bela e brilhante do ser”, da qual todas as demais ideias “recebem não só sua inteligência, como seu ser e sua essência, ainda que o próprio Bem não seja essência, senão algo muito acima da essência em dignidade e poder (da República).

Platão – Dialética – 7a parte – Aspecto ontológico – o mundo das ideias

08/11/2009

Aspecto ontológico – o mundo das ideias

A palavra ideia tem em Platão, quando se toma no sentido ontológico que agora é tratado, um significado muito diverso do que damos comumente. Achamos que ideia expressa algo subjetivo: um conceito mental que faz referência a um objeto ou essência universal.

Para Platão, de outra forma, a ideia é essencialmente objetiva e significa a mesma realidade em si, ou, em outras palavras, o mesmo conteúdo objetivo dos conceitos universais.

Ideia equivale à essência objetiva.

Platão – Dialética – 6ª parte – Ciência e Reminiscência (Menão, Fédon)

08/11/2009

Ciência e Reminiscência (Menão, Fédon)

 

Platão expôs até aqui sua concepção da ciência como intuição das idéias. Mas como se realiza essa misteriosa captação das essências inteligíveis, sendo que estas estão separadas das coisas sensíveis? Para solucionar esta dificuldade Platão recorre à teoria da reminiscência, que supõe por sua vez o mito da preexistência das almas.

Segundo a nova teoria, na ocasião da percepção sensível se suscita na alma a recordação das idéias que esta havia contemplado com anterioridade a sua união com o corpo, de maneira que a visão de uma lira nos recorda o amigo a quem pertence.

A alma, por conseguinte, não constrói as idéias, mas as encontra porque, mesmo que esquecidas, ali já estavam.

Saber não é mais que recordar e a ciência equivale a reminiscência.