Archive for the ‘Zeller’ Category

Górgias

05/02/2009

Górgias de Leontini (480 a 375 AC) Nascido na Sicília foi para Atenas na qualidade de embaixador. Ensinou a arte da retórica em vários locais. Primeiramente professou a doutrina eleática mas depois assumiu o ascetismo que levou até o extremo em três teses: 1º que nada existe, 2º que ainda que existisse, não poderia ser conhecido e 3º que ainda que existisse e pudesse ser conhecido não poderia ser comunicado aos demais. Górcias, com essas três negações foi muito além de um vulgar ascetismo proclamando um desconcertante niilismo. Mas, “Górgias estaria falando sério?”. Zeller vê nas teses de Górgias somente uma tentativa de levar até o absurdo as possibilidades contidas no eleatismo. Seu sentido seria o seguinte: são tantas as antinomias que se seguem à admissão do ser que o mais lógico é dizer que nada existe.

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Capítulo 1, artigo 1 – Os Jônicos – Anaximandro de Mileto

19/01/2009

Anaximandro de Mileto (610 a 547 AC)

Parte da idéia de Tales que a variedade e multiplicidade aparente das coisas se resolve num princípio único. Mas, superando seu mestre, entende que este princípio não pode ser uma coisa determinada como a água, mas algo indeterminado, infinito, imortal e divino, que governa o todo,  que chama de ápeiron (*). Sempre foi difícil a definição desse ápeiron anaximândrico. Para Zeller seria uma espécie de primeira matéria aristotélica, porém viva e imortal.

Do centro de ápeiron, e por uma espécie de separação espontânea, brotam as coisas do mundo empírico. Anaximandro desenvolve uma teoria original da evolução e se adianta em 25 séculos às modernas hipóteses de Kant-Laplace e Lamark-Darwin. As primeiras manifestações que surgem desse processo dissociativo de ápeiron são o frio e o calor, que se condensam respectivamente na terra e no céu das estrelas fixas. Dentro da terra se separam, por sua vez, no sólido e no líquido, dando origem aos mares e ao continente. Pela ação do céu ardente os vapores ascendem do mar  e formam a região do ar entre a terra e o céu. Depois, do barro, originado pela separação parcial do mar e debaixo da ação incubadora do calor, aparecem os primeiros organismos em uma grande cadeia evolutiva que vai desde os peixes até o homem. Este singular evolucionismo anaximândrico, ascendente e construtivo, se consuma com o retorno das coisas ao centro de ápeiron, em castigo de um misterioso pecado que cometeram ao começar a existir. “As coisas devem perder-se onde nasceram, em penitência e castigo da sua injustiça, segundo a ordem do tempo”.

Anaximandro introduz o conceito de infinito e da evolução cósmica. Sua filosofia é o primeiro ensaio ocidental da explicação do universo por derivação do infinito.

(*) ápeiron no Dicionário Houaiss – grego – para o filósofo grego Anaximandro, a realidade infinita, ilimitada, invisível e indeterminada que é a essência de todas as formas do universo, sendo concebida como o elemento primordial a partir do qual todos os seres foram gerados e para o qual retornam após sua dissolução.