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Livro II – A antinomia ser-devir de Heráclito e os eleatas – Resumo

31/01/2009

Livro II – A antinomia ser-devir de Heráclito e os eleatas
(550 a 450 AC)

1 – Explicação dinâmica: Os princípios do movimento são intrínsecos as coisas; existência de elementos qualitativamente diferentes.

1.a Heráclito de Éfeso (535 a 465 AC): O princípio é o fogo, vivo, inteligente e divino (Logos); panta rhei tudo corre, tudo flui- ; polemos pater panton – o conflito é o pai de todas as coisas.

2 – Explicação estática e unitária: Princípio meramente formal; racionalismo extremo; monismo abstrato:

2.a – Xenófanes (570 a 480 AC): o teólogo da escola; ensina um monismo incompleto porque admite algum devir e multiplicidade e imutabilidade de Deus. Rechaça a transmigração das almas.
2.b – Parmênides (540 AC): o metafísico da escola; ensina um monismo rigoroso pois nega todo devir e multiplicidade; formula o princípio do racionalismo – ser e pensar é o mesmo.
2.c – Zenão (520 AC): o dialético da escola; estabelece as aporias dialéticas – dificuldade ou dúvida racional decorrente de uma impossibilidade objetiva na obtenção de uma resposta ou conclusão para uma determinada indagação filosófica; Paradoxos de Zenão.

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Capítulo 2, artigo 2 – Zenão

24/01/2009

Zenão (nascido em 520 AC)

Discípulo de Parmênides defende a mesma doutrina e com suas famosas aporias (1) dialéticas tenta demonstrar que toda multiplicidade e todo movimento são impossíveis. Por isso se chama o dialético da escola eleática. Expões quatro argumentos contra a pluralidade dos corpos e a favor da unidade do Universo e outros quatro contra a mutabilidade dos corpos e contra seus movimentos.

Seu mérito consiste em manifestar com grande agudeza as dificuldades lógicas contidas na multiplicidade, no movimento e na divisibilidade, sem, entretanto, dar propriamente a solução para estas questões.

As antinomias ou paradoxos de Zenão não só foram muito celebradas pelos antigos como Aristóteles que as resolveu depois engenhosamente, como mais adiante, Bayle, Espinosa, Leibnitz, Hegel e Herbart as estudaram profundamente. Ainda que seus argumentos não resolvam o problema da multiplicidade e do movimento, desenvolvem agudamente as dificuldades que envolvem essas questões e assim prepara a invenção do cálculo infinitesimal, obra de Leibnitz e Newton.

Sugestão de leitura: Os paradoxos de Zenão no site da Faculdade de Educação da Universidade de Lisboa.

(1) Aporia: 1 dificuldade ou dúvida racional decorrente de uma impossibilidade objetiva na obtenção de uma resposta ou conclusão para uma determinada indagação filosófica … 4 figura pela qual o orador simula uma hesitação a propósito daquilo que pretende dizer – aparias de Zenão – as formuladas pelo filósofo Zenão de Eléia que tinham por objetivo provar que as idéias de multiplicidade e movimento conduzem o pensamento a impasses e contradições lógicas insuperáveis. (dicionário Houaiss)

Capítulo 2, artigo 2 – Os Eleatas

22/01/2009

Os Eleatas

Em oposição a Heráclito que se fixou na experiência e afirmou que tudo no mundo é o devir, os eleatas, apoiando-se somente na razão, estabelecem que tudo é ser e de uma maneira puramente racionalista identificam a ordem das coisas com a ordem das idéias e vão parar na negação de toda multiplicidade e no monismo estritamente racionalista. Então se o ser é tão somente uno, único e imutável e, com esse mesmo conceito do ser, surge a seguinte questão: Como se explicam as mudanças que vemos nas coisas? Ao resolver esta dificuldade os eleatas incorrem no fenomenismo e, mais ainda, no ilusionismo, pois dizem que as mudanças não existem na realidade, sendo tão somente uma ilusão dos sentidos, que a razão deve corrigir. Decorrem então os princípios supremos do monismo eleático:

1 – O ser é uno, único, imutável

2 – Nenhum ser pode se reproduzir nem perecer, pois, caso contrário, o ser o aumentaria ou diminuiria, o que é impossível.

3 – Como só existe um ser, o mundo e Deus são a mesma coisa. A concepção de Deus é material e hilozoísta (1).

O processo da filosofia eleática é como se segue: Xenófanes mostra um monismo ainda imperfeito e mais teológico; Parmênides, de uma maneira extremamente rígida, a desenvolve produzindo um racionalismo metafísico; Zenão se esforça em defender dialeticamente a doutrina de Parmênides; finalmente Meliso a aplica à ordem física.

(1) hilozoismo – Doutrina metafísica que considera que a materia é animada, sensível e espontânea em atuações e respostas – do site WordReference.com