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Platão – Dialética – 5ª parte – Convite, Fedro

18/03/2009

A função auxiliar do amor (Convite, Fedro)

Depois da ascensão intelectual da alma até a Ciência, que acabamos de descrever, sucede em o Convite e em Fedro o que é chamado “dialética do amor”. O Amor, filho de Poros, o deus da Abundância e de Penia, a deusa da Pobreza, recebeu de herança as qualidades de seus progenitores. Como filho de Penia é pobre, fraco e culto, vive e dorme ao ar livre, pelas portas e pelos caminhos. Como filho de Poros é varonil, diligente, e corre atrás do que é bom e belo. É simplesmente filosófico, pois a filosofia é ma das coisas mais belas. Esporeado por seu desejo de verdade e beleza o Amor busca sem descanso sua possessão até que um dia vislumbra abaixo um reflexo da Beleza suprema. E, então, já sobre a trilha do objeto ansiado, ascende pela escala do belo, por cima dos corpos belos, das belas ações, das ciências belas, e penetra no umbral da verdade (1) para saciar sua sede na contemplação da Beleza eterna.

Os críticos discutem sobre o sentido deste bonito mito platônico. Vêem nele uma verdadeira dialética do amor (Taylor), uma intuição intelectual do ser (Zielgler), uma tendência ateórica (Calogero), etc. Parece mais provável a intepretação de Robin, que atribui a Eros uma função propedêutica (2) como ordem para facilitar a ascensão intelectual a partir do ser. O Amor é, assim, um auxiliar que eleva a alma do sensível até o conhecimento do inteligível.

(1) verificar pois está em grego

(2) Propedêutica – corpo de ensinamentos introdutórios ou básicos de uma disciplila; ciência preliminar, introdução (dicionário Houaiss)

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