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Platão – introdução à sua filosofia

24/02/2009

Introdução a filosofia de Platão

Platão tratou de quase todos os temas da filosofia. Mas há uma Filosofia de Platão?

Se por filosofia se entende um conjunto harmônico de teses ordenadas e coerentes então a filosofia de Platão não existe. O pensamento de Platão está sempre caminhando. Nada mais longe de sua mentalidade que a ordem e a coerência. Entretanto em um sentido mais amplo pode se falar de uma filosofia platônica se por filosofia se entende uma busca metódica do saber humano, dominada por várias posições fundamentais e características, tais como:

1º – A desconfiança dos sentidos
2º – A confiança absoluta no poder da razão
3º – A necessidade da purificação e do amor para a aquisição da verdade filosófica
4º – A necessidade da existência do mundo ideal para fazer possível a verdadeira ciência

Neste acepção menos rígida Platão tem uma filosofia própria e certamente das mais geniais que a história reconhece. Por esta questão há uma dificuldade de apresentar uma síntese ordenada do platonismo e por isso os críticos modernos preferem estudar a evolução de suas doutrinas ao invés de definir sua gênesis. Este método tem a vantagem de apresentar Platão como ele foi e não tentando definir uma idéia fixa de seu pensamento.

Platão é o primeiro pensador que desenvolveu toda temática filosófica. A filosofia pré-socrática era fragmentaria e se reduzia quase exclusivamente ao problema cosmológico. Sócrates mudou de direção e orientou sua investigação para o problema ético e psicológico. Com Platão a filosofia penetra em ambos domínio e entra a ciência do objeto e do sujeito. Além disso, com Platão convergem todas as correntes anteriores. O ser de Permênides e o devir de Heráclito, os números de Pitágoras e os conceitos e definições universais de Sócrates, todo esse acervo de doutrinas opostas se unificam em Platão mediante sua original teoria das idéias que constitui o eixo do platonismo como no modelo divisório abaixo, comum na escola platônica:

Ciência das idéias em si: Dialética

Ciência da participação das idéias
–No mundo sensível: Física
–No mundo moral: Ética
–No mundo artístico: Estética

Capítulo 1, artigo 2 – Os Pitagóricos – (segunda parte) – Uma análise

21/01/2009

Uma análise da escola pitagórica

O erro fundamental dos princípios pitagóricos se encontra na sua confusão entre a ordem abstrata das matemáticas e a ordem real do ser. Mas, ao mesmo tempo, o valor de seu aporte filosófico é considerável. O progresso de seu pensamento é múltiplo.

1º – Supera a consideração material dos jônicos pondo em seu lugar uma consideração racional, mais profunda, mais universal e mais científica.

2º – Introduz o conceito de harmonia e, com ele, o conceito da ordem e da lei, que se aplica não só ao Universo mas também a cada coisa em particular.

3º – Não cultiva somente a Física e as Matemáticas, mas desenvolve também uma ética bastante pura e sublime.

4º – Em geral determina mais cuidadosamente a relação entre o entendimento e o experimento científico – a experiência -, admitindo certo domínio do primeiro em relação ao segundo no conhecimento científico do mundo, ou seja, o conhecimento não é meramente dependente da experiência, mas a determina, a ordena e a eleva a noção científica. Nisto consiste o elemento saudável de seu racionalismo.

Mas, por outro lado, falta o conceito claro de Deus, pois a filosofia pitagórica se inclina mais para uma espécie de panteísmo(1) emanativo, ainda que não rechace o politeísmo popular.

(1) – Panteísmo – Numa análise etimológica Pan (tudo, completude) e Teísmo (crença em Deus). Doutrina filosófica que afirma a identidade substancial de Deus e o mundo. Vale lembrar que os antigos gregos professavam o panteísmo e nos lembrar do momento histórico em que a escola pitagórica se encontra. Já o politeísmo, em contraposição, é a doutrina filosófica que admite a existência de vários deuses.