Posts Tagged ‘Hilozoísmo’

Capítulo 3 – As novas cosmologias dos atomistas

25/01/2009

As novas cosmologias dos atomistas

A antinomia Heráclito-Parmênides havia encerrado o pensamento pré-socrático num labirinto sem saída. Por um lado os eleatas afirmavam que o ser não pode mudar e que é único. Por outro lado a experiência favorecia Heráclito ao mostrar a existência de muitos seres que certamente seriam mutáveis. Prisioneiros desse problema os últimos pré-socráticos buscaram uma solução que os permitisse escapar. E a solução que encontraram foi esta: O verdadeiro ser nem pode mudar, nem pode ser produzido de novo e nem deixar de ser. E aqui os eleatas têm razão. Mas isto não quer dizer que haja um só ser. Ao contrário, existem infinitos seres, e eles são imutáveis, que ao combinar-se entre si de um modo puramente mecânico produzem a realidade mutável do Universo. Estes seres minúsculos, no conceito parmenidiano de ser, são os átomos. Os últimos pré-socráticos são seus inventores e chamados de atomistas.

Os atomistas abandonam a consideração hilozoística (1) da matéria e se vêem obrigados a buscar uma causa eficiente das coisas e de suas mudanças. Empédocles colocou esta causa nas forças consideradas de uma maneira antropomórfica (2), Anaxágoras no entendimento divino e Demócrito no movimento eterno, como veremos a seguir.

(1) Hilozoismo: doutrina filosófica segundo a qual toda a matéria do universo é viva, sendo o próprio cosmo um organismo material integrado, possuindo características como animação, sensibilidade ou consciência. (Dicionário Houaiss – melhor que as anteriores – revisar as definições passadas)
(2) Antropomorfismo: [2] visão de mundo ou doutrina filosófica que, buscando compreensão da realidade circundante, atribui características e comportamentos típicos da condição humana às formas inanimadas da natureza ou aos seres vivos irracionais. (Dicionário Houaiss)

Obs.: Uma excelente leitura, um texto de Erwin Schrödinger, Nobel de Física de 1953, no site Ciência dos Materiais, da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais

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Capítulo 2, artigo 2 – Os Eleatas

22/01/2009

Os Eleatas

Em oposição a Heráclito que se fixou na experiência e afirmou que tudo no mundo é o devir, os eleatas, apoiando-se somente na razão, estabelecem que tudo é ser e de uma maneira puramente racionalista identificam a ordem das coisas com a ordem das idéias e vão parar na negação de toda multiplicidade e no monismo estritamente racionalista. Então se o ser é tão somente uno, único e imutável e, com esse mesmo conceito do ser, surge a seguinte questão: Como se explicam as mudanças que vemos nas coisas? Ao resolver esta dificuldade os eleatas incorrem no fenomenismo e, mais ainda, no ilusionismo, pois dizem que as mudanças não existem na realidade, sendo tão somente uma ilusão dos sentidos, que a razão deve corrigir. Decorrem então os princípios supremos do monismo eleático:

1 – O ser é uno, único, imutável

2 – Nenhum ser pode se reproduzir nem perecer, pois, caso contrário, o ser o aumentaria ou diminuiria, o que é impossível.

3 – Como só existe um ser, o mundo e Deus são a mesma coisa. A concepção de Deus é material e hilozoísta (1).

O processo da filosofia eleática é como se segue: Xenófanes mostra um monismo ainda imperfeito e mais teológico; Parmênides, de uma maneira extremamente rígida, a desenvolve produzindo um racionalismo metafísico; Zenão se esforça em defender dialeticamente a doutrina de Parmênides; finalmente Meliso a aplica à ordem física.

(1) hilozoismo – Doutrina metafísica que considera que a materia é animada, sensível e espontânea em atuações e respostas – do site WordReference.com

Capítulo 1 – As primeiras cosmologias dos jônicos e pitagóricos

19/01/2009

As primeiras cosmologias dos jônicos e pitagóricos

As primeiras escolas pré-socráticas buscam o primeiro princípio das coisas. Os jônicos procuram conhecer do que são formadas, os pitagóricos procuram o que são cada uma das coisas e, por conseguinte, todo o Universo em si mesmo. Os jônicos procuram o princípio material e constitutivo que se conhecem pelos sentidos e podem ser considerados de empirismo moderado. Os jônicos mais antigos admitem a multiplicidade dos seres, são pluralistas, e como não distinguem a matéria do espírito, são hilozoístas (1). Ao assinalar o princípio material das coisas, pode-se observar um certo progresso nesta escola. Tales lhes atribui um princípio concreto, Anaximandro, um princípio indeterminado, Anaxímenes, um princípio infinito vivo e finalmente Diógenes de Apolônia, um princípio racional. O método dos jônicos mais antigos permanece no menor grau de abstração, a abstração física.

Pitágoras e seus discípulos avançam para uma investigação científica mais elevada, a abstração matemática. Não investigam de que constam os seres, mas sim o que são em si mesmos. A consideração matemática é a causa pela qual praticam um racionalismo moderado. Em oposição aos jônicos estabelecem um princípio mais formal e concreto/abstrato, o número. Os pitagóricos também são pluralistas e hilozoístas mas se inclinam para o monismo e o idealismo.

Todos, se falam de Deus, o identificam com o mundo e o consideram extenso, razão pela qual suas doutrinas podem também se chamar hilozoísmo panteísta.

(1) hilozoísmo: provém de hylé (matéria) e zoé (vida) e expressa a concepção que atribui vida a toda matéria.