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Capítulo 3 – Anaxágoras

27/01/2009

Anaxágoras (500 a 428 AC)

Célebre descobridor do Nous, de quem Aristóteles disse que foi o único sóbrio no meio de uma turba de ébrios, Anaxágoras nasceu em Clazômena na Jônia (antiga Ásia menor, hoje Turquia) por volta de 500 AC. Anaxágoras desenvolve um atomismo qualitativo. Os quatro elementos de Empédocles (água, ar, fogo e terra) se convertem em uma infinidade de elementos qualitativamente diferentes e imutáveis que são como as sementes de todas as coisas. Estes elementos, que Aristóteles chama de homeomerias (1) (ou homeomérias – encontram-se ambas grafias portuguesas), são ilimitados em número e espécie e, ainda que infinitamente pequenos, são divisíveis mais e mais. A partir destes corpúsculos Anaxágoras explica a formação do cosmos, inserindo um princípio novo: o impulso motor e ordenador: a Inteligência (alguns chamam de Razão) ou Nous. A função deste Nous anaxagórico é dupla: por em ação a massa inerte dos elementos e ordenar o conjunto do universo. Então, o Nous é a causa do movimento e da ordem cósmicas. Anaxágoras não pretendeu chegar até o final, seu Nous se contenta em dar o impulso inicial e, depois, a maneira de Deus e dos deístas, abandona o mundo a si mesmo, a sua própria sorte.

Não é claro também o pensamento de Anaxágoras acerca da natureza imaterial do Nous, pois se de um lado o distingue das homeomerias, de outro o considera como a forma mais tênue das coisas. A solução para esta contradição parece ser a seguinte: Anaxágoras fazia clara distinção entre o nous e as homeomerias que lhe devem o impulso ordenador, mas, por carecer de uma idéia clara sobre a diferença essencial do corpo e do espírito, não supôs liberar seu incipiente espiritualismo de toda influência sobre a matéria. A completa elaboração de um conceito tão difícil como o do espírito era trabalho tão grande e delicado que não poderia ser realizado por um só homem.

O grande mérito de Anaxágoras é ter sido o descobridor do Nous e o primeiro a introduzir a idéia de uma Inteligência transcendente como última explicação da ordem e teologia do cosmos.

(1) Homeomeria: FIL no pensamento do filósofo Anaxágoras (499-428 a.C.), qualquer porção, pequena ou grande, do mundo material que, embora contenha necessariamente todas as múltiplas e contraditórias qualidades encontráveis no resto do universo, pode ser definida e caracterizada por uma qualidade preponderante ou hegemônica. (dic. Houaiss)

Sugestões de leitura: Webartigos e um texto de Mario Ferreira dos Santos no portal Philosophia Perennis

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